EL PORVENIR E O PENSAMENTO DO SOBERANISMO GALEGO PRIMIGÉNIO
El Porvenir nom foi apenas umha revista: foi um latejo. Umha faísca acesa no coraçom dum tempo sombrio, quando a Galiza começava a escuitar-se a si própria entre o ruído da história. Nas suas páginas, escritas com urgência e afouteza, batia a vontade dum mundo novo, umha impaciência por fender as cadeias visíveis e invisíveis que prendiam corpos e consciências.
Ali, o trabalho assalariado revelava-se como nova escravitude e o eco das fábricas europeias chegava convertido em denúncia e esperança. O socialismo nom apareceu como umha doutrina fria, senom como ética fervente, como sonho de harmonia em que a dignidade humana pudesse por fim alentar. Ao carom, erguendo a voz com audácia pouco comum, a emancipaçom das mulheres irrompia nom como nota marginal, senom como parte essencial desse horizonte de justiça, como chave para medir o pulso verdadeiro do progresso.
Por baixo, como um rio subterrâneo que acabava por abrolhar à superfície, corria a ideia da Galiza. Umha Galiza que se pensa, que se nomeia, que se quer dona do seu destino. Mesmo quando a censura a obrigava a falar em chave, mesmo quando as palavras precisavam de encobrir o que anunciavam, a aspiraçom ficava nítida: ser, simplesmente, Nós.
Nom é estranho que a apagassem. As suas páginas ardiam de mais. E, contodo, o lume nom se extinguiu: ficou latente, preparado para estourar na Revoluçom de 1846 e para alimentar, mais adiante, outras formas de renascimento.
Hoje, ao recuperar El Porvenir, nom só se resgata umha publicaçom antiga. Recupera-se umha intensidade, umha ousadia, umha maneira de pensar o mundo desde a periferia como se fosse centro. Umha voz que, atravessando o tempo, ainda nos interpela: que faremos nós com aquele futuro que eles ousárom imaginar?
César Caramês Branco nasceu em Sam Martinho de Laje, Moranha. É professor de Língua e Literatura no mesmo instituto onde ele estudou, A Xunqueira I de Ponte-Vedra. Publicou artigos sobre história, língua e política em vários meios galegos como Praza, Novas da Galiza, Galiza Livre ou Vieiros. Leva umha década a investigar e reinterpretar a Revoluçom Galega de 1846 e é diretor do documentário que a voltou a colocar como centro de recuperaçom da história da Galiza: 1846-Revolución Galega.
Editorial: TEMPO GALIZA 04-2026
Idioma: Galego
Páxinas: 126
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